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O catarismo (do grego καϑαρός katharós, "puro") foi uma seita cristã da Idade Média surgida no Languedoc, no sudoeste da França ao final do século XI, apresentada por alguns como um sincretismo cristão, gnóstico e maniqueísta, manifestado num extremo ascetismo. Muitos Historiadores afirmam sua formação a partir do séc.VII d.C, quando os "hereges"que viviam no oriente médio e sul da África migraram para a Europa fugindo das invasões muçulmanas, outros afirmam que possivelmente são provindos da expansão das heresias dos bogomilos (Reino dos Bulgaros) e dos Paulacianos (Paulicianos) que existia no oriente Médio.
editar Catarismo vs. CatolicismoA doutrina cátara diferenciava-se da doutrina católica em alguns dos principais "pilares" da doutrina católica. Para eles, o livro sagrado era a Bíblia, em particular o Novo Testamento, mas segundo a sua crença, Jesus não era filho de Deus, mas apenas um profeta importante. Eles também recusavam a hóstia sagrada (apenas repartiam o pão em suas cerimónias)e não admitiam distinção entre sexos, permitindo inclusive que mulheres celebrassem ritos religiosos. Muito menos reconheciam a autoridade Papal ou dos bispos, dividindo os seguidores da religião em três níveis: Perfeitos, Crentes e Ouvintes. Os Perfeitos ou "bons homens" praticavam o celibato e passavam os dias em oração e em jejuns. Eram excelentes oradores. Os Crentes praticavam a virtude e a humildade, mas não eram obrigados a abstinências. Os Ouvintes eram simpatizantes da religião, acompanhando as palestras dos Perfeitos. editar A criação do mundoOs cátaros não acreditavam que o mundo tivesse sido criado diretamente por Deus, mas que era uma materialização do Mal e que, portanto, os que aqui viviam estavam destinados à expiação até que, após uma vida destinada ao bem, voltassem ao Paraíso perdido. Enquanto não conseguissem isso teriam que reencarnar em sucessivas vidas na Terra. editar A salvação é uma responsabilidade individualOutra diferença fundamental da então doutrina ortodoxa era que os cátaros acreditavam na salvação pela acção pessoal, e que cada indivíduo era responsável por sua própria salvação através de seus actos. Isso implicava a salvação sem restrições (todos teriam direito à salvação, tudo dependia de suas acções), e na crença de que a relação Deus-homem não necessitava de intermediários; todos os homens teriam o direito e a capacidade de vivência com a experiência do êxtase espiritual, o que, na doutrina ortodoxa era intermediado pelos ritos e sacerdotes da Igreja. Algumas ideias do catarismo reapareceriam mais tarde em diversos momentos, como no Movimento da Reforma Protestante e naquelas doutrinas que visam resgatar o cristianismo primitivo, como o Gnosticismo e a Doutrina Espírita. editar Os cátaros e o Santo GraalRezam as lendas que o Santo Graal (supostamente, o cálice onde Jesus teria bebido vinho na Santa ceia) teria sido possuído pelos cátaros. Porém, os templários, cavaleiros cruzados encarregados pela Igreja Medieval de resgatar o Santo Graal teriam capturado os cátaros. Mesmo sendo o objetivo central dos cruzados resgatar o cálice de Jesus, o maior objetivo de todos os cruzados era impor o Catolicismo aos outros povos. Então, os cruzados tentaram impor o cristianismo católico aos cátaros, que se recusaram a abandonar sua fé. Quase todos foram queimados vivos, mas os poucos que sobreviveram levaram o Santo Graal consigo na sua fuga. Confunde-se muito Templários com cruzados em geral. Os Templários eram cruzados, em sua origem, mas poucos cruzados eram Templários. Na verdade, os Templários - originários da região de Languedoc - desobedeceram uma ordem direta do Papa e não participaram da Cruzada Albigense. editar A heresia cátaraA heresia cátara - ou Albigense, da localidade de Albi - provocou a Cruzada albigense, onde vários que eram considerados "Hereges Medievais", e habitavam as cidades e seus arredores, sofreram agressões e mortes violentas no século XIII. Toda a região de Rennes-le-Château carrega o estigma dos resíduos dessa história de amargura e sangue até hoje. Bérenger Saunière, um sacerdote de Rennes-le-Château, se viu envolvido nessa história de sua terra natal, e entrou em contato com as tradições cátaras, ouviu sobre as lendas do cálice sagrado, e encontrou muitos pergaminhos que remetiam a essa seita, e assim as investigações sobre os mitos e a verdadeira história tiveram início. A Cruzada Albigense durou cerca de 40 anos, comandada pelo Papa Inocêncio III, e seus enviados estampavam a cruz em suas túnicas e tinham como meta e recompensas a absolvição de todos os pecados, remissão das penas, um lugar à salvo no céu e, como recompensa material, o produto de todos os saques. Os cátaros eram dualistas, acreditavam no conflito, portanto, entre o bem e o mal, o espírito e a carne, o superior e o inferior. Para eles, toda a Criação estava imersa em uma guerra eterna entre os dois princípios irreconciliáveis: A luz - ou seja, o espírito - e a escuridão, ou matéria; sendo os primeiros obra e origem Divina do Bem, e o segundo obra e criação do Mal. Dois deuses: um sendo o Princípio, o Puro Espírito, a Energia livre das manchas da matéria. O Deus do Amor, considerado incompatível com o poder. Sendo a carne uma manifestação do poder, toda criação material portanto seria obra do segundo deus, um deus usurpador, mau em seu interior, chamado pelos cátaros de Deus do Mundo. editar Bibliografia
editar Ver tambémeditar Ligações externas
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